Blog do Mané Oleiro
quinta-feira, 2 de julho de 2026
sexta-feira, 26 de junho de 2026
ALAMBIQUE
& CAPACETE
DESTILADOR
CAPACETE
& ALAMBIQUE
louças de barro utilitária, olarias de
São José-SC/BR
Mestre José Francelino de Souza, sua roda de oleiro e sua obra
·
Feito por
oleiros nas olarias de São José-SC, o chamado capacete é um recipiente de
barro, tipo um copo emborcado, braço em formato de cano alongado. Na verdade,
um destilador, alambique.
·
Utilizado nos
engenhos de cana-de-açúcar para lambicar a cachaça, destilada da fervura da
garapa ou melado da própria cana.
·
A famosa água
ardente, aguardente da cana-de- açúcar.
·
·
Relatos
históricos, apontam que a cana-de-açúcar, chega ao Brasil em 1532 na Expedição
de Martin Afonso de Souza.
·
No mesmo ano,
há relatos do surgimento do vinho de cana-de-açúcar na Capitania de São
Vicente.
·
Por analogia,
no alambique (destilador), capacete é a peça côncava, que encaixa no batoque (caldeira),
onde se acumula o vapor.
·
Observado
na posição inversa, o capacete de barro, produzidos pelos oleiros de São
José-SC, assemelha-se ao formato de um cachimbo alongado.
·
O braço do
capacete é complementado por encaixe de um cano de cobre ou alumínio, que forma
a serpentina(condensador) sobre água fria corrente, tendo como resultado, o
lambicador. A vedação dos encaixes sobre o batoque e o braço na serpentina, se
dá, com pirão molinho da farinha de mandioca.
·
A apuração
final é o líquido do líquido colocado na caldeira, sob nova fórmula. (cachaça)
·
Utiliza-se
a garapa ou o melado da cana-de-açúcar no batoque aquecido pelo fogo de lenha.
O controle do fogo, requer do CACHACEIRO, muita praticidade experimento para
manter a temperatura ideal na obtenção de uma cachaça de boa qualidade.
·
Na
linguagem dos CACHACEIROS, o processo de lambicagem é classificado pela cabeça,
corpo e calda da cachaça, ou seja: as
primeiras lambicagens é a cabeça, contém impurezas, extremamente de sabor
forte, não aconselhável ao consumo.
·
A seguir,
vem a lambicagem do corpo, aguardente de boa qualidade e de sabor de consumo.
·
A calda é
a lambicagem final, que contém muita água, água fraca, assim chamada, sem sabor
para consumo.
·
O modelo
de capacete exibido, trata-se da última relíquia dessa natureza, produzida
artesanalmente em 2007 pelo saudoso oleiro José Francelino de Souza (Mestre
Zéquinha), na roda de oleiro de tração pessoal.
·
Por se
tratar de uma peça especial, precisão e de grande porte, poucos oleiros sabiam
fazer, não aceitavam a encomenda.
·
O capacete
em referência, foi feito para substituir um outro de barro, em uso há 76 anos,
num alambique de Paulo Lopes, município da Região da Grande Florianópolis-SC.
·
Os muitos
alambiques em uso e fabricados desde meados do século XX, são de cobre,
produzidos de forma industrial.
GLOSSÁRIO
Batoque –
nome que se dá a peça interna do gargalo de encaixe do destilador.
maneoleiro.blogspot.com
Oleiro Gilberto
João Machado
Cad. 3 – ASAJOL
– Patrono: Dom Jaime de Barros Câmara
Academia São
José de Letras
ARAME FARPADO
revolução federalista 1893/1894, Brasil
século xix
A
nomeação do Interventor Coronel Antônio Moreira Cesar para Desterro, trouxe
também muito pânico em São José.
Moreira
Cesar, apelidado de “corta cabeças”, ganhou fama por sua extrema violência na
repressão da Revolução Federalista no sul do Brasil. Sua atuação era marcada
por execuções sumárias de prisioneiros, muitas delas por degola.
“Contos
que atravessam décadas de quem viveu a época, são contados em forma de risos
e/ou piada dos muitos que fugiram para as matas.
Uma
dessas figuras em fuga, entrou em desespero. Na correria para o mato, sua
camisa prendeu-se numa cerca de arame farpado. Aos gritos e prantos, jurava
inocência e suplicava por clemência.
De
repente, olha para trás, percebe que ninguém o prendia.
Salvou-se
do medo.
Aliviado
e ressabiado, volta para casa”.
Contos que conto
Quem
conta um conto, aumenta um ponto . º
-dito
popular-
Texto:
Gilberto J. Machado
Historiador
terça-feira, 23 de junho de 2026
PENICO
louças de barro utilitária, olarias de São José-SC
Pinico, assim também chamado popularmente, é umutilitário de barro produzido nas olarias de São José desde o século XVIII. Trata-se de um tipo de bacia ou vaso com alça, usado para coleta de urina e fezes de forma portátil.
Nas olarias, brincáva-se com encomendas de modelos maiores, a fazer sob medida. rsrsrsrs
Para crianças, apelidado de troninho, transiçao para o vaso sanitário.
Auxílio para idosos e acamados sem mobilidade. Na antiguidade era costume deixar embaixo da cama.
A partir da década dos anos 50, século XX, a inustrialização trouxe o penico de ferro esmaltado, plástico e por útimo de ferro inóx. Para uso hospitalar, criou o papagaio inóx, coleta de urina para homens e a comadre para mulheres.
maneoleiro.blogspot.com
Oleiro: Gilberto J. Machado
Cad. 3 -ASAJOL - Patrono: Dom Jaime de Barros Câmara
segunda-feira, 22 de junho de 2026
MACHUCA
louças de barro, olarias de são josé-SC
·
O machuca é uma variedade menor do formato do alguidar, ou
seja, tipo de bacia, utilizado para machucar, socar o feijão depois de cozido. Sugere-se
que o nome machuca, tenha sido batizado por cozinheiras donas de casa, função
de relevância, valorizada de época, lugar das olarias.
maneoleiro.blogspot.com
Oleiro Gilberto J. Machado
Cad. 3 – ASAJOL – Pat. Dom Jaime
de Barros Câmara
domingo, 21 de junho de 2026
PASQUIM
O BOI QUE VEIO DO MAR
SÃO JOSÉ – SC/BR
O Caminho da
Ponta de Baixo dos oleiros e das olarias
brincadeiras
da farra do boi
Aconteceu
numa manhã de quarta-feira, agosto de 1957 nas Praiazinhas do seu Zequinha, seu
Vino e do seu Dodô.
E foram todos para a praia
pois até então, só se viam
os
galhos que se moviam
E do que aconteceu
da chegada do boi na praia
alguém fez um folheto e escreveu
versos que a todos envolveu
O mar estava
sereno
só os galhos
que se moviam
era um boi que
fugira
e na praia
aparecia
O Zequinha
vinha da pesca
que quase não
deu em nada
pegou o boi
pelas aspas
lá na pedra
rachada
A filha do
Zequinha
saiu correndo
pela praia
com medo do boi
espetou-se numa
arraia
O boi tava na
água
a farra foi a
vau
o turrum tava
pousado
e o gato fazia
miau.
A dona Bia do
Doca
que estava ali
na praia
fugiu em
disparada
que rasgou a
sua saia
O boi subiu na
laje
do pasto ele
escapou
foram todos
para a praia
ninguém mais
trabalhou
A farra tava
animada
que virou grande
folia
ninguém mais
trabalhou
pararam até as
olarias
O dono do boi
apareceu
todos correram
que nem louco
que tristeza
que deu
tudo que é bom
dura pouco...
////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////
NOTAS: Alguns
versos desse pasquim, escrito a mão, foi pregado nas portas das vendas na mesma
noite, logo após o acontecimento. Passado algum tempo, quando o assunto
esfriou, surgiram suspeitas autor desta sátira, ser o carroceiro João Bertolino
de Aguiar, dono de mulas e carroças, que fazia fretes e venda de louças das
olarias.
O boi da farra, fugiu de Campinas, pasto alugado
pelo Zé Bernardo, tropeiro puxador de tropas de gado da serra e tinha matadouro
na estrada geral de Picadas do Sul, atual rua Luis Fagundes.
O boi era um curísco de brabo, talvez o que o fez
nadar mais de 3(três) Km, até chegar nas praias da Ponta de Baixo.
Assim que a notícia chegou ao dono, cavaleiros a
laço levaram o boi
fugitivo.
GLOSSÁRIO
Pasquim – texto satírico colado em lugar público
Filha do Zequinha – Zenaide Odete Machado
Arraia – peixe de esporão aguçado, pescado por seu
pai. Ainda hoje possui a marca do esporão na perna.
Turrum – nome de um passarinho comum da região, apelido
do broqueiro Antônio Tasca (Nneném)
Gato – apelido do oleiro Osni Albino Ramos
Doca – apelido do oleiro João Cesário de Maria.
Broqueiro – cortador de pedras, trabalhos de
pedreira.
Contos
que conto
Quem conta um
conto, aumenta um ponto . º
-dito popular-
Texto: Gilberto
J. Machado
Historiador
sexta-feira, 19 de junho de 2026
DE
MANÉ A MANÉZINHO
Ilha de Santa Catarina e lado
do continente
Santa
Catarina – Brasil
Vamos saber um pouco do
“ser mané”
Tempos não muito
distantes, gente da cidade, apelidavam alguns moradores do interior da Ilha de
Santa Catarina de mané.
A “Cidade” em
referência, “Florianópolis”, assim também chamada por todos que moravam no lado
continental.
Suposições apontam
aos nomes Manuel ou Manoel, muitos comuns em todas as regiões litorâneas,
especialmente nos povoamentos do interior da Ilha de Santa Catarina.
Seu Manoel, seu
Manuel, seu manéca, seu maneu(l), seu mané, nomes que pode ter sido o caseiro,
um sítio ou casa de veraneio de propriedade de alguém da “Cidade”.
Seu mané, sempre
tratava essa gente da “Cidade” de doutori, ou seja, pela formação profissional,
Poder ou posses.
O mané pode ser
caracterizado como um sujeito simplório, contador de causos, um matuto de
trabalhos pesados, lida com bois e da roça. Uns dos trabalhos de engenho,
outros da pescaria e outros de qualquer serviço braçal.
Mas, os autênticos
manés, eram os malandros, exibidos de vida boa. Aqueles que usavam uma perna da
calça arregaçada até a metade da perna, um pouco abaixo do joelho e que por
distração, se exibiam com uma gaiola na palma da mão, dentro um curió, um
sabiá, uma tia chica ou um coleirinha a dobrar, cantar.
Aquele ou aquela que,
come um loc loc (pirão de café) com peixe frito frio, ou ainda, aqueles que
comem pirão d’agua escaldado ou jacuba com carne seca de varal, assada numa
grelha na brasa de fogão de lenha.
Aqueles que por várias
gerações, abandonados à própria sorte pela gente da “Cidade ou Praça” , longe
da escola, criaram seus meios de subsistência, modos de falar próprios,
engraçados, que os identificam como o mané ou a mané interiorana da Ilha, assim
como também, nos povoamentos do litoral do lado continental.
-Frases, ditos e
palavras como:
“mofas com a pomba na balaia”,
“farinha pouca, meu
pirão primeiro”,
“coberta d’alma”
“chichilaria”
“roubar e fugir com
a rapariga, depois mais tarde casar”
“Achas pouco, ou
quéz mais”
“oioió
..oioió.oioió...
“táz tolo táz”
“o vento tá de
rebojo”
“és bom pro fogo”
“intizica pra tu vê,
o que vai te acontecer”,
“te toco a mão nos
cornos”
“cambulhão de peixe”,
“boi ralado (carne
moída)”
“eu atiço a bucica
em cima de ti”
“oh seu istepô ( r )
“me deu uma
digerinha, uma caganeira”
“apaga apomboca e
vai dormir”
“lanço de peixe”
“tarrafa a vau”,“
garapivu”, mata-fome, “és bom pumbife”, “cara de areia mijada”, “dar de mamar a
enxada”, “se quéx quéx, se não quéx diz”, seu tolo e muitas outras.
Glossário
mané
Atiçar - incitar
Bucica – cachorra,
cadela
Boi ralado – carne
moída
Jacuba do
tupi-guarani - pirão de água fria
Cambulhão – porção de peixes enfiados pela guelra
em cipó à serem vendidos.
Cara de areia mijada – furos no rosto de quem teve varíola
Xinxilaria –
burocracia, lenga lenga, enrolação com
papéis
Coberta d’alma –
roups de quem morre
Dar de mamar a
enxada – preguiçoso na lavoura, cabo da enxada debaixo do braço
Diigerinha
– diarréia
És bom pro fogo - expressão usada para dizer que uma pessoa não
presta (também ameaça debochada, de mandar alguém à fogueira.
És bom pumbife – referindo-se a carne do boi de
farra
És um porta-milá–perdido,
andar sem rumo ou importa-me lá contigo
Intizica – provoca
Istepô ( r ) – expressão de xingar alguém, seu
coisa ruim
Lanço de peixe –
cercar o cardume com rede, arrastar, puchar para a praia ou embarcação
pesqueira. Locais de peixes de tarrafa a vau.
Loc loc – pirão de café, mexido na própria caneca
de tomar café.
Mandrião –
preguiçoso
Mata-fome – prato de
barro de se comer
Mofas com a pomba na
balaia – vais cansar de esperar, não conseguir o que queria, intento
Oioió –
interpétra-se como interjeição de espanto ou admiração
Pomboca – lamparina pequena de pavio, acesa com
querosene, luz de pomboca
Rebojo – vento que
sopra de várias direções, ocorre quase sempre com vento sul ou leste (lestada)
Te toco a mão nos
cornos – dar uma bofetada na cara de alguém
Vau – trechos rasos da beira do mar ou de rio,
onde se pode transitar a pé.
Tolo – credibilidade frágil, sofrível. Não se refere
a debilidade mental.
Vamos
saber um pouco do “ser manézinho”,
evolução do mané
Na verdade, não se atribuía
a alguém, como o criador do pseudônimo manezinho.
Em inícios dos anos
80 do século passado, nas áreas centrais de Florianópolis como do lado
continental, ouve-se em rodas de amigos, locais de trabalho, bares, botequins e
principalmente no Mercado Público, colegas e amigos serem chamados de
manezinho.
Geralmente ou quase
sempre, esse colega ou amigo assim chamado, morava em alguma comunidade do
interior da ilha de Santa Catarina.
A partir de então, esse
pseudônimo, que pode ter derivado do seu Manoel, seu Manuel, seu manéca, seu
maneu ( l )l, seu mané, começa a difundir-se na boca do povo com apelido de
manezinho.
Até a primeira
metade da década dos anos 80, ser chamado de manezinho, tinha sentido
pejorativo. No entanto, por muitos havia aceitação, dentro de um clima amigável
e na base da gozação.
Nessa época, já estava
a se destacar programa de rádio como radialista, o saudoso Aldírio Simões.
Aldírio,
constituía-se num personagem carismático, identificado com nossa cultura de
base açoriana.
Seu ponto de
encontro diário, o Mercado Público de Florianópolis, além de viver os cantos e
recantos da Ilha e do continente, a conhecer sua gente, seus hábitos, usos e
costumes.
Nascido na
localidade de Rio do Braz em Canasvieiras, Aldírio, destacou-se como
radialista, repórter, jornalista, escritor e apresentador de TV.
Na TV, criou e
apresentou o famoso programa BAR FALA MANÉ.
Em meados da década
dos anos 80 como radialista, idealiza uma forma de homenagear, enaltecer o mané
manezinho, que tomou proporções do linguajar popular entre nós.
Todos aqueles ou
aquelas, que se identificam com a maneira simples de viver os nossos usos,
costumes, ajuda mútua e solidariedade dos nativos interioranos da Ilha e do
continente, ou ainda, todos aqueles ou aquelas que, para cá vieram, se
adaptaram a viver essa identidade de simpatia, esse estado de ser e que,
destacam-se perante a comunidade.
Em 1987, elenca os
nomes dos manezinhos a serem homenageados e organiza a primeira edição do
Troféu Manezinho da Ilha.
Tinha no amigo
manezinho e saudoso Francisco Amante, o popular Chico Amante, os préstimos e
suporte da organização burocrática dos eventos.
Aliás, em matéria de
organização, Aldírio era muito bom de improvisação.
Testemunhos relatam
que, “nas primeiras edições do Troféu, alguns manés elencados por Aldírio, se
mostravam reticentes com a homenagem, dado ao sentido pejorativo de outrora do
pseudônimo manezinho”.
O prestígio de
Aldírio cresce nos meios de comunicação, enaltecem a honraria do Troféu, mudam
o conceito e o entendimento de “ser manezinho”.
Nos anos que
seguiram aos dias de hoje, prestígio ser nomeado, ser chamado, escolhido para
receber a honraria do Troféu Manezinho
da Ilha.
Num bom sentido, diz
o manezinho, nosso amigo, Engenheiro Paulo Ricardo Caminha: “o Aldírio atirou
no que viu e matou o que não viu, referindo-se ao auge de sua projeção com o
Troféu Manezinho da Ilha”.
Embora sendo o autor
intelectual do Troféu e dos agraciados, o nosso Mané Mor, cercava-se de uma
Confraria que oferecia palpites para os novos a serem escolhidos.
Entre outros dessa
Confraria, faziam parte o saudoso Chico Amante, o ex-Secretário de Segurança,
Maurício Amorim, o Engenheiro Paulo Ricardo Caminha, o Poeta Luiz Gonzaga
Galvão e o bancário Ire Silva.
Registra-se que além dos cenários criados para gravações na TV, vários programas itinerantes foram gravados em bares e restaurantes populares no interior da Ilha-SC, São José (Shopping Itaguaçu), Palhoça (Praia do Sonho, Ponta do Papagaio) e outros municípios vizinhos.
Após a morte de
Aldírio em 2006, incorporou-se a Confraria, seu filho Sione Márcio Simões, que
organiza a tradição anual do Troféu Manezinho da Ilha.
Guga,
o manezinho
A
internacionalização do “ser manezinho”, foi conhecida e difundida, diante da
mídea mundial pelo maior tenista brasileiro de todos os tempos.
Gustavo Kürten, o
nosso Guga, que no topo do ranking da ATP, chamou para si o título de Manezinho
da Ilha.
O mundo conheceu um “manezinho
impar”, que levou sua simplicidade com competência de grande campeão das
quadras de tênis do mundo, Grande Campeão de Roland Garros.
Contos que conto
Quem
conta um conto, aumenta um ponto . º
-dito popular-
Texto:
Gilberto J. Machado
Historiador