sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

domingo, 15 de janeiro de 2017

COISAS DO CAMPECHE

COZA  DO  CAMPECHE
Papo do Zé gancheiro

Seu Zé, o Senhor já ouviu falar de Sants Uperry?

“Num Senhori, num ouvi e num conheço não. 
Só sei de gente falando sim de um estrangeiro, que vem avoando e baixa o avião ali. 
O Senhori sabe, o mexerico chegou até o Pantsuli, virou papo de porta de venda.
Falam que toda gente dali do Campeche, gosta muito dele, fazem até festinha quando ele chega.  Falam até que quando o tempo tá feio, vento suli, noite escura, acendem lampião pra ele não embicá o avião.
É....ehehehe, mas também falam que o home é namoradô que só vendo.
Dizem que nasceram uns escurinhos de olho azul e meio esverdeado, depois que esse estrangeiro chegou por ali.
Cala-te boca, não ta mais aqui quem falô”.


Contos que conto
Quem conta um conto, aumenta um ponto  .  º
              -dito popular-                                         
Texto: Gilberto J. Machado
                   Historiador



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017



CARNE DE VARAL

SÁTIRA

nos versos do mané

 

Quem não sabe o que é

pergunte aos pais e avós

e descubra a delícia que é...

 

Eles vão lembrar das delícias de um tempo

em que se pendurava e se estendia

 toda a carne que se comia

 

Nessa época não existia freezer

nem tinha geladeira

quem tinha era luxo

e se podia encher o bucho

 

Toda a carne era fresca

 e o peixe que se pescava

  ia parar no varal

 pois se não, estragava

 

Carne seca de varal

ou carne seca de sol

depois aonde fica

com farinha, guardada na barrica

 

O fogão era de lenha

  e quando a brasa se formava

se puxava pra fora

 a carne na grelha assava

 

A chaleira aquecia, água se fervia

a seguir com água quente

farinha se misturava

pirão escaldado ficava

 carne assada se mastigava...

&

A evocar tempos antigos

num encontro de amigos

um certo fulano de tal,

 de improviso, se meteu a fazer uma carne de varal...

 

O improviso registrado

foi no sul da Ilha

lá perto de naufragados

 

Trouxe uma carne de boi

também trouxe linguiça, cheio de bobiça

teimava e dizia, não preciso de sol

faço fogo, faço brasa, debaixo do varal

 

Achei aquilo esquisito

 e logo indaguei, isso tem jeito?

o fulano de pronto respondeu

não duvides da astúcia de um ex-prefeito

 

É que o fulano de tal

veio do sul cheio de brio

além de doutor de bicho e outros predicativos

foi Prefeito de Sombrio

 

Com a carne no tempero de sal e alho

esticada, pendurada no varal

formou-se um penduricalho

 

E começou a assar

naquele fogo enfumaçado

cruz credo, não se sabe o que vai dar

 

O velho bruxo esdrúxulo

que andava sempre torrado

agradava o fulano e dizia

tá com jeito de assado

 

Na hora da comilança

foi que começou a lambança...

 

A dona da casa não gostou

a carne ficou encruada, mal passada

mas o fulano de tal, teimava e dizia, está assada

 

O bate-boca se estendeu

com todos que estavam a mesa 

ela falava alto

“por favor não me engane

essa carne tem sangue”

 

Todos cheios do lero-lero

 pularam fora da mesa

 fomos matar a fome

 comendo a sobremesa

 

Com os ânimos acalmados

 virou farra depois

começamos a fazer humor para agradar os dois

 

Num domingo bonito de sol

esse foi o final

dessa destrambelhada carne de varal.

 

Homenagem ao amigo, o Veterinário Leopoldo Alves da Silva (Podinho), ex-Prefeito de Sombrio - SC

Engenheiro Paulo Ricardo Caminha e sua esposa Laura Caminha

Édson Luís da Silva “Velho Bruxo da Ilha”

 

maneoleiro.blogspot.com

Gilberto J. Machado

Escritor ASAJOL

Cad. 3, patrono Dom Jaime de Barros Câmara

Contos que conto

Quem conta um conto, aumenta um ponto  .  º

              -dito popular-                                         

Texto: Gilberto J. Machado

                  -Historiador-