domingo, 22 de fevereiro de 2015
O RISQUINHO DO 7
domingo, 8 de fevereiro de 2015
CHICO CURTO & CHICO RATOEIRA
CHICO curto
&
CHICO ratoeira
coisas de São José da Terra Firme, humor da vizinhança
Esses dois Chicos, provocavam risos por seus
feitos e comportamentos. Apelidados no popular, faziam-se divertidos em São
Jose da Terra Firme.
Viveram histórias
antagônicas e de formas divertidas em suas maneiras de viver e fazer, que em
tom de brincadeira, eram sempre assemelhados pela vizinhança.
Chico Ratoeira, muito divertido,
trabalhava de pedreiro e por todos era conhecido pela sua alegria e
descontração no trabalho. Sempre cantarolando no trabalho, dava aquela
paradinha ao passar um rabo de saia.
Na verdade, se
considerava um esperto, um namorador, as vezes tecia elogios ao rabo, não a
saia.
A música era o seu
divertimento, não tocava muito bem, mas sempre estava acompanhado de seu
violão.
Às noites, ah, as
noites, estava em todas, gostava da farra, um boa vida.
Se algum homem se
assemelhasse na sua maneira de ser, em casa ou na vizinhança, era logo chamado
de Chico Ratoeira.
As mulheres então, logo
comparavam qualquer atitude suspeita dos maridos ou namorados, “estás te
assanhando muito, até pareces com o Chico ratoeira”.
&
Chico Curto,
um indivíduo de estatura
pequena, por isso apelidado de curto.
Ocupado
em carpinteiro, fazia alguns brinquedos de madeira e vivia de vendas ambulante.
Muito
religioso, fé católica, era figura assídua na procissão do Senhor dos Passos,
que fazia o calvário da Capela do Senhor dos Passos, localizada na entrada da
Ponta de Baixo, até a Igreja Matriz no Centro Histórico de São José.
A
pedido do Pároco, construiu a escada de madeira com 2 degraus para a subida da
Verônica, encenação do ritual cântico com o desenrolar da
toalha com a face de Jesus.
Acompanhava
a procissão, carregando a escadinha nas mãos, sempre pronto a colocá-la em
posição para a subida da Verônica.
Metido
nos trabalhos de carpintaria, foi marcado pela construção de um viveiro na
chácara de sua casa.
Meteu-se
a construir o viveiro, a lida foi o dia todo.
Ao
anoitecer, o filho chega em casa e pergunta a mãe pelo pai.
Está
lá nos fundos, fazendo um viveiro.
Mais
até essas horas ?, indaga o filho, já escureceu?
Então,
juntos foram até o local do tal viveiro e deparam-se com uma cena de se cagar
de rir.
O Chico estava preso dentro do cercado.
Aos
risos, a mulher lhe pergunta, não me diz que te pregasse aí dentro?
Ele, pior
que sim, mas não conta pra ninguém, esqueci de fazer a porta e estou a
despregar para daqui sair.
Essa tolice
vazou e virou galhofa na vizinhança. A partir de então, todo e qualquer cercado
que se faz em São José, ainda há quem lembre da prisão do Chico Curto.
Contos que conto
Quem
conta um conto, aumenta um ponto . º
-dito popular-
Texto:
Gilberto J. Machado
-Historiador-