terça-feira, 11 de março de 2014

GUARDA DO EMBAU




GUARDA DO EMBAU

&

RIO EMBAU & RIO DA MADRE



Distrito de Enseada de Brito – Palhoça,SC



Vamos conhecer um porco da história do Rio Embau,  a partir do século XIX com a chegada dos colonizadores luso-açorianos circunvizinhos ao rio. Primiramente, vamos saber do porque Embau.



Embau é de origem tupi-guarani, linguagem falada pelos índios carijós, que habitavam o litoral de Santa Catarina. Na tradução para a língua portuguesa, Embu significa; rio oco, vazio, seco,diferente.

Fonte: Mini dicionário tupi-guarani



O Embau nasce entre pedras em formato de pilões, num chapadão do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, no município de Palhoça, local em que forma um divisor de águas com o município de São Bonifácio.

A partir da formação de suas águas de serra abaixo em direção ao mar, recebe águas de várias nascentes, que formam diversos riachos, que desaguam no seu curso, entre eles, o Rio Paulo Lopes.



Guarda, um lugar para se guardar, cuidar, proteger. O nome Guarda do Embau tem origem no local de depósito dos produtos produzidos pelos lavradores da Gamboa e circunvizinos do Rio Embau. Entre os produtos, destacavam-se os derivados da mandioca e dos engenhos de farinha(farinha de mandioca, cuscuz, bejú, etc....,), de cana-de-açúcar e dos engenhos de cana-de-açúcar(açúcar grosso, melado, etc..,), alambiques de cachaça(cachaças de garapa ou melado da cana-de-açúcar).

Esse depósito, localizáva-se nas proximidades da barra do rio e de um riacho não navegável, que desaguava no mar da Pinheira.

Embarcações da Villa de São José da Terra Firme, traziam louças de barro, como o pote para água, o alguidar, panelas,  boião, pichorras, pratos de se comer, cuscuzeiros, torrador de café e outras variedades de peças, para venda ou escambo(troca) com os produtos desses lavradores.

No princípio, esses produtos eram levados de canoas de garapuvu, até o depósito de guarda, depois carregados por carros de tração pessoal e de bois, até a praia da Pinheira. Depois, embarcados em hiates(botes) à remos e velas, ou lanchas baleeiras, para venda na Enseada de Brito, Villa de São José da Terra Firme e cidade de Desterro.

Mas, essa forma de transporte fluvial e baldeação por terra, encarecia muito os produtos. Então, os lavradores encontraram a alternativa de se propor a abrir um canal de navegação até a praia da Pinheira, através de um córrego, uma vala já  existente, que desaguava do Embau na enseada do mar da Pinheira.



Vamos conhecer a história do Canal da Independência



Em 1841, Cidade de Desterro. Presidente da Província de Santa Catarina, Brigadeiro Antero Jozé  Ferreira de Brito.



Através das Leis Provincial n. 17 e 36, atendendo reclames dos moradores lavradores circuvizinos das margens do rio Embahú, autoriza a abertura de um canal entre rio e o mar da Pinheira.

A barra do rio que sempre obstruída, provocava inundações constantes, além de alterar o seu curso natural. De comun acordo entre os moradores, a abertura seria feita pelos próprios moradores, com início no dia 7 de setembro, tendo a denominação de Canal da Indepência.

Iniciou-se com efeito a obra, mas pelas mãos de uma Tropa Militar que por ali passava, já que grande parte dos moradores excusaram-se do compromisso, em função das lidas com suas lavouras.

Mesmo assim, o cidadão Joaquim Jozé da Costa, destacou-se voluntarioso em atrair os moradores que se propusessem a participar dos trabalhos.

Ficou acordado que, os moradores que não participassem dos trabalhos e outros que depois da conclusão dos trabalhos, viessem a utilizar o canal, uma taxa seria cobrada.



Em 1842, os trabalhos de abertura do Canal da Independência continuam sem prejuízos para os cofres Público, com a expectativa de breve conclusão.



Falla que o presidente da provincia de Santa Catharina, o marechal de campo graduado Antero Jozé Ferreira de Brito, dirigio á Assemblea Legislativa da mesma provincia na abertura da sua sessão ordinaria em o 1.o de março de 1842. Cidade de Desterro, Typ. Provincial, 1842.



Em 1843, o Presidente da Província, relata na Assembleia Legislativa, a morosidade da abertura do Canal da Independência, em virtude da falta de compromisso de grande parte dos moradores, embora contando com a expressiva colaboração do cidadão Joaquim José da Costa em atrair colonos de suas lavouras nos trabalhos volunbtários.



Falla que o presidente da provincia de Santa Catharina, o marechal de campo Antero Jozé Ferreira de Brito, dirigio á Assemblea Legislativa da mesma provincia na abertura da sua sessão ordinaria, em o 1.o de março de 1843. Cidade do Desterro, Typ. Provincial, 1843.



Em 1844, ainda se trabalha no Canal da Independência para o aperfeiçoar e tenho a satisfação de informar-vos que estão desvanecidos os receios que alguns entretinham, de que, as águas do Embau nunca tomariam a direção da Enseada Pinheira.

Isto se verificou e eu vi canoas carregadas navegando pelo canal em direção a barra, mas como na ocasião em que elle se franqueou, estava o rio em demazia caudaloso com as águas das chuvas, não bastou o canal para dar-lhes saída e houve transbordamento para o mar grosso, ficando em parte seco o canal.

Acudiram então os moradores ao ativo cidadão Joaquim Jozé da Costa, para fazerem os trabalhos conducentes e impedirem a repetição desses transtornos, mas não o puderam concluir nesse tempo e eu mesmo os fiz despedir, não só pelas copiosas chuvas que então caíram, mas também pela carestia de mantimentos, que não havia como sustentar os trabalhadores.

Para que este último obstáculo não volte a aparecer, porque esta obra tem sido levada ao ponto que está, sem dispêndio dos cofres públicos, proponho que no Orçamento seja consignado a importância de quinhentos mil reis.



Falla que o presidente da provincia de Santa Catharina, o marechal de campo Antero Jozé Ferreira de Brito, dirigio á Assembléa Legislativa da mesma provincia na abertura da sua sessão ordinaria, em o 1.o de março de 1844. Cidade do Desterro

      

Em 1845, ainda tem-se por vezes trabalhado no Canal da Independência para deixá-lo mais largo e profundo na sua extensão de aproximadamente oitocentas braças(1.760,00m). Continua a sair e entrar por ele, canoas carregadas.

Preciso de auxílio financeiro para esta obra no exercício futuro de duzentos mil reis, unicamente para comestíveis, compra e conserto de ferramentas.





Em 1846, ainda continuam os trabalhos no Canal da Independencia, embora com excassez de recuros e de mão de obra voluntária dos moradores, matém esperanças de breve conclusão, diz o President da Província na fala à Assembléia Legislativa.



Falla que o presidente da provincia de Santa Catharina, o marechal de campo Antero José Ferreira de Brito dirigio á Assemblea Legislativa da mesma provincia no acto da abertura de sua sessão ordinaria em o 1.o de março de 1846. Cidade do Desterro”.


De 1847 à 1853, o Canal da Independência, não mais é mencionado nos relatórios de obras à Assembléia Legislativa pelos Presidentes da Província.
 Atribui-se a não menção em virtude da não liberação dos recursos previstos para manutençã do canal, durante as transições  do Presidente Interino e depois ao sucessor indicado pelo Governo Imperial, Doutor João José Coutinho.

Em 1854, após axames de avaliação, a Presidencia da Província, admite a viabilidade do Canal da Independência, aprovado por seu antecessor, obra que está bastante adiantada, podendo ser concluido com mais ou mesnos um ano de trabalho.
Se não para navegação de hiates(botes), pelo menos para canoas. Isso porque, os lavradores que levam seus produtos pelo rio Embau com canoas, tem que depois, fazer a baldeação para carros e chegar até a praia da Pinheira, tornando-se muito dispendioso.
O uso de canoas pelos lavradores da Gamboa e vizinhos dos rios da Madre e Paulo Lopes, seria de muita comodidade a todos, assim determinou o Presidente.
Sendo assim, é justo que eles façam a obra e a Província oferece as ferramentas e uma ração diaria de carne para cada pessoa.
Mesmo assim, como nem todos tem o mesmo brio e bom senso, para prestar boa vontade a serviço de seus interesses, preciso é que por Lei, os obrigue a prestar três dias de trabalho por mês, até a conclusão da obra.
Excetuam-se da Lei, menores de 12 anos e maiores de 70, alejados ou inteiramente incapazes por enfermidades psíquicas ou mental de qualquer serviço, impondo-se multas, que a pagarão na cadeia se não satisfizerem em 24 horas, podendo fazer-se substituir por outro bom trabalhador, aquele que  nisso tiver interesse.
Assim determinou o Presidente da Província de Santa Catharina.

Relatorio do presidente da provincia de Santa Catharina em 19 de abril de 1854. Pg.33

Em 1855, com esta Lei em vigência, o Canal da Independência foi mantido navegável por mais de um século.
Até inícios dos anos sessenta do século XX, o escoamento de produtos produzidos pelos colonos da Gamboa e circunvizinhos do Rio Emabu, teve passagem por essse canal em canoas carregadas, que chegavam a praia do mar da Pinheira.
Esse testemunho é lembrado pelo Senhor Ari Thomé de Souza (é1914) e sua mulher Dona Feliciana de Souza(é1929), nativos e moradores da localidade de Guarda do Embau.
RIO DA MADRE
Em 1854, o nome Rio da Madre, que é o mesmo Rio Embau é citado em documento Provincial.
Em 1848, com a conclusão da estrada do Morro dos Cavallos e a instalação de barreira no Passo do Massiambu, os melhoramentos e a construção da estrada do litoral, seguem rumo a Província de São Pedro(RS).
A partir de 1849, em substituição a frágil ponte de madeira, chamada por muitos de pinguela, a nova travessia do Rio Embau, começa a receber as grandes madres(vigas) de madeira começam a ser apoiadas nos robustos pilares(colunas) de madedira, na construção da importante ponte, que depois será batizada de Ponte do Rio da Madre.

Em 1850, conjectura-se que depois de pronta, o empreiteiro  constratado e os trabalhadores, a batizaram com o nome de Ponte do Rio da Madre. Logo depois do batismo, popularizou-se o chamado Rio da Madre, vindo a ser mencionada em documento oficial em 1854.


Com a implantação da BR-101 na década dos anos 70 do século XX, uma nova ponte de concreto armado, e novo traçado da BR, foi construída no Rio Emabu.

A velha ponte de madeira do Rio da Madre, foi desativada, servindo apenas aos transeuntes do lugar. Logo depois, por falta de manutenção, desmoronou-se pela ação das águas do Embau. Desde então, é chamada pelos moradores da localidade de ponte quebrada.

Desde então, a ponte da BR-101, duplicada em 2011/2012 no Rio Embau é conhecida como a Ponte do Rio da Madre.



 

Glossário

Braça – unidade de medida de braços abertos, equivalente a 2,2 m.
Massiambu – rio da barra, foz do regato, vem de uma junção de interpretações  da línguagem tupi-guarani, indígenas da tribo, que habitavam o litoral de Santa Catarina.
gamboa gam.bo.a - Trecho de rio em que as águas remansam, dando a aparência de lago tranquilo; camboa.

CONTOS QUE CONTO
Quem conta um conto, aumenta um ponto  .  º
              -dito popular-                                         
Texto: Gilberto J. Machado
                   Historiador









terça-feira, 4 de março de 2014

MORRO DOS CAVALLOS





MORRO DOS CAVALLOS

Distrito de Enseada de Brito-Palhoça,SC





Em 1840, o caminho do Morro dos Cavallos, tem seu planejamento de construção de estrada na gestão do então Presidente da Província de Santa Catarina, o Marechal de Campo, Exmo. Senhor Francisco Jozé de Souza Soares D’andrea. Diz o texto da fala no relatório da Assembléia Legislativa, quando da passsagem da Presidência da Província de Santa Catarina, à seu sucessor, Brigadeiro-Antero Jozé Ferreira de Brito.

 “A estrada do Morro dos Cavallos poderá ser feita de tal modo que sirva até ao trânsito de carruagens, mas não está chegada ainda essa época.”

Ainda em 1840,  na sua gestão, o caminho do Morro do Siriú passa por melhoramentos de estrada, desde a descida para Garopaba e de subida do lado da Gamboa.



Discurso pronunciado pelo presidente da provincia de Santa Catharina, o marechal de campo Francisco Joze de Souza Soares d'Andrea, na sessão ordinaria do anno de 1840 aberta no primeiro dia do mez de março. Cidade do Desterro.







Cidade do Desterro, 26 de junho de 1840.

Marechal de Campo, Francisco Jozé de Souza  Soares D’Andrea.



Em 1841 a estrada que atravessa o Morro dos Cavallos com recursos do Governo Imperial, é confiada a incumbência de construção ao Major Caetano José da Costa, na gestão do empossado Presidente da Província de Santa Catarina, Brigadeiro Antero Jozé Ferreira de Brito. A obra com previsão de conclusão para 2 anos, sofreu paralisações  em períodos dos anos de 1842/43, devido a excacez de recursos Provinciais. Mesmo assim, a obra tem continuidade com os custos assumidos pelo Major Caetanos José da Costa, com o compromisso de ser indenizado posteriormente.

Em 1844, com a perspectivas de provisão de novos recursos financeiros, a obra tem continuidade, inclusive com mudança de trajeto para livrar-se de formação rochosas do caminho inicial. Estando assim, a obra tem previsão de conclusão em janeiro de 1845 com instalação de Barreira de cobrança para o uso dela, que será instalada no lado sul do Rio Massiambu, local em que já se cobra imposto para travessia do Rio.


Falla que o presidente da provincia de Santa Catharina, o marechal de campo Antero Jozé Ferreira de Brito, dirigio á Assembléa Legislativa da mesma provincia na abertura da sua sessão ordinaria, em o 1.o de março de 1844. Cidade do Desterro.

Em 1845, depois de 2 anos de obras, reconstrução e reparos,  sob custos do Administrador, a estrada  está transitável, tanto na subida pela Enseada de Brito, quanto na descida para o Passo do Massiambu.
 Com base na Lei Provincial nº. 202, artigo 7º, após vistoria in loco do Presidente da Província e constatar que a estrada estava transitável, tanto de dia como a noite, publicou o Regulamento do valor da cobrança de imposto para quem nela transitasse.
Em 1º. de janeiro de 1845, mandou estabelecer barreira no lado sul do Passo do Massiambu em conformidade ao Regulamento publicado, haja vista que, ali já se cobrava para travessia do rio.
Observação: Na mensagem à Assembleia, o Presidente da Província, apresenta os custos da obra assumidos pelo Administrador durante os 2 anos e pede a aprovação de indenização ao mesmo, além de novos recursos para prosseguimento da obra, considerando a sua importância viária e econômica para a Província.


Falla que o presidente da provincia de Santa Catharina, o marechal de campo Antero Jozé Ferreira de Brito, dirigio á Assembléa Legislativa da mesma provincia na abertura da sua sessão ordinaria, em o 1.o de março de 1845. Cidade do Desterro, Typ. Provincial, 1845.        

Em 1847, recursos do Governo Imperial são empregados na obra da estrada do Morro do Cavallos, que ainda está em execução.

Falla que o presidente da provincia de Santa Catharina, o marechal de campo Antero Jozé Ferreira de Brito dirigio á Assemblea Legislativa da mesma provincia no acto da abertura de sua sessão ordinaria em o 1.o de março de 1847

Em 1848, a estrada do Morro dos Cavallos está concluída com a instalação de barreira para sua manutenção e as obras da  estrada do litoral segue com recursos do Governo Imperial, já estando nas proximidades de Mampytuba e Torres na divisa com a Província do Rio Grande do Sul.

Falla que o presidente da provincia de Santa Catharina, o marechal de campo Antero Jozé Ferreira de Brito dirigio á Assembléa Legislativa da mesma provincia, no acto de abertura de sua sessão ordinaria em o 1.o de março de 1848. Santa Catharina, na Typ. Provincial da Cidade do Desterro, 1848.


1848
RELATORIO 1848.



Interessante: Em nenhum dos Relatórios Provinciais sobre os trajetos de construção do  Morro dos Cavallos, há menção de indígenas no local.


CONTOS QUE CONTO
 








CONTOS QUE CONTO

Quem conta um conto, aumenta um ponto  .  º

              -dito popular-                                         

Texto: Gilberto J. Machado

                   Historiador