quinta-feira, 22 de outubro de 2026

 

O CANTO DO BEM-TE-VI

 

São José-SC, tempos do transporte de carroças e do iuxo dos carros de mola de tração animal por cavalos e mulas.

Por

José Manoel Laurentino da Silva•

01-12-1920...08-2013º 

Época de gracejos, proezas e peripécias nos contos do carroceiro das longas viagens com as vendas de louças de barro.

O popular bem-te-vi

Esse apelido lhe fora atribuído por imitar o canto de vários pássaros, assim como, outros animais. Todavia, o canto do bem-te-vi, imitava com perfeição.

Contudo, se irritava, não gostava do apelido e atiçava a bucica em cima de quem assim chamasse, especialmente com a farra dos adolescentes, a encrenca estava feita.

Era também um apaixonado por música regional, andava a cantarolar na boleia da carroça. Apaixonado por violão, sonhava em ter um. Trapaças e boas negociatas com cavalos.

No meio das olarias, o carroceiro das longas viagens e das boas vendas de loiças de barro em negócios com a olaria de Mário Estevão dos Santos, conhecido como seu Mauro.

Assim, o josefense José Manoel Laurentino da Silva, trabalhou como negociante de cavalos e de louças de barro no litoral norte de Santa Catarina.

Dono de carroça e cavalos, levava louças até São Francisco do Sul, Joinville e Jaraguá do Sul.

De meados da década dos anos 40, 50 à inícios dos anos 60 do século passado, foram os auges dos seus negócios com as louças de barro na região norte.

Com as louças bem empalhadas, carregava sua carroça de tolda, encilhava dois cavalos, porém sempre com outro de reserva a reboque para fazer suas viagens, que duravam até 30 dias.

“Entre outras de suas andanças, conta que, em inícios dos anos 50, na localidade de Nova Descoberta, Canelinha, trocou meia carrada, carga de louças por um violão.

Uma negociata que perdeu dinheiro, mas com o prazer de ter um violão”

“Certa feita, numa viagem a São Francisco do Sul, ao pernoitar na localidade de Araquari, trocou seu bonito cavalo tubiano por uma mulher, uma arriscada gambiarra.

Com lamentos relata, nessa gambiarra levei azar.

Três meses depois, veio o prejuízo, a mulher me deixou, foi embora, perdi o cavalo”.

 

 

Contos que conto

Quem conta um conto, aumenta um ponto  .  º

              -dito popular-                                          

Texto: Gilberto J. Machado

                   Historiador

 

Cad. n.3 – ASAJOL. Patrono Dom Jaime de Barros Câmara