PESCA DE
CANIÇO
POEMA
Cacos de
Infância, filhos das olarias & pesca na pedra
Ah, como gostaria de voltar a ser criança
Juntar cacos na areia da praia e fazer tudo de novo
Ao mar sereno arremessá-los, imitando os peixes rei
Aqueles cacos bem polidos, alguns em forma de ovo
Ainda na memória guardo, o jeito que arremessei
Com as mãos cheias de cacos
Eram brinquedos que se brincava
Da alegria que se sentia
Quando o caco no mar pulava, saltitava
Aos poucos, outros iam chegando
Todos juntavam seus cacos, a virar competição
Os cacos tipo peixinhos, iam sendo contados
E quem mais fazia peixinhos, se gritava campeão
Hoje se pergunta, onde estão todos os cacos?
Porque desapareceram das praias?
Ou isso é para quem lembra o tempo do pote e do jarro
Que sumiram como oleiros e as olarias de louças de barro.
Sim, os cacos eram pedaços
De louças de barro que se quebravam
E que não serviam nem para vender
Então, nas praias e ao mar eram jogados
Como forma de se desfazer
Quase dois séculos depois
Surrados de se bater, na praia e nas areias
Nas ondas de maré baixa ou maré cheia
Os cacos da ignorância, viraram brinquedos de criança!
&
Como não lembra das pedras batizadas
Está lá a pedra rachada
Imponente e dos bons mergulhos
Para subir, todo cuidado com a parte quebrada
E a famosa pedra da cadeira
Cadeira que se senta na pesca de caniço
Saudades do caniço, que se fazia de bambu
Das pescarias da pedra e dos peixes mais comuns
Canhanhas, cocorocas,
garopetas
Badejos, marimbais, sargos e robalos
Peixe rei, escrivão e baiacu
Iscas de barata, tiradas da toca com vareta de bambu
Da cadeira, olha-se para trás
Mais que parece ser um enclave
Pedras altas, a praiazinha da burra, burra não sabe porque
Bambus e cachumbeiras a proteger
Lá na laje do conão e do Ricardo
Se corria a mergulhar em dias de verão
Hoje uma pedra esquecida por quem vive o lugar
Uma praia esquecida, acabou os mergulhos e banhos de mar
E lá está a pedra do quebra-dente
Dente que se quebrou, quando a canoa embicou
Marco da massambaba que o indígena chamou
Lagoinha que liga ao mar, piriri, cachumbeiras e bambus
Do marco do quebra-dente, se avista a laje de fora
Pedra de bons peixes de fundo e profundezas
Onde se avista ilhas e paisagem beleza do continente
Pesqueiros de redes e espinhéis, se rema de mar afora
Pela pedra do cabeço, se passa e se chega a outra
A outra que é rachada, essa dos peixes grande, os tejo
Tocas de fundo desconhecidas, pesqueira com manejo
Pesqueira de garoupas, caranhas e badejos
E de lá de fora ou de dentro, se avista a pedra comprida
De fora da Ilha grande, boa profundidade e pesqueiro
Pedra dos peixes miraguaia e burriquetes
Pesca de caniço, caceio e de fundeio.
Por última e que não seja, a pedra do mané João
Lá no fundo do mar, desafios de canoeiros
Maré baixa, maré alta a saber
A quilha ou leme a se perder. ....................
Este poema é dedicado a história de quem viveu e vive na
localidade da Ponta da Baixo - São José-SC
Autor: Acadêmico Gilberto João Machado
Cad. 3 - ASAJOL – Academia São
José de Letras
Patrono: Dom Jaime de Barros Câmara
Nenhum comentário:
Postar um comentário