quinta-feira, 18 de junho de 2026

 

 

PESCA DE CANIÇO

POEMA

 

Cacos de Infância, filhos das olarias & pesca na pedra

 

Ah, como gostaria de voltar a ser criança

Juntar cacos na areia da praia e fazer tudo de novo

Ao mar sereno arremessá-los, imitando os peixes rei

Aqueles cacos bem polidos, alguns em forma de ovo

Ainda na memória guardo, o jeito que arremessei

 

Com as mãos cheias de cacos

Eram brinquedos que se brincava

Da alegria que se sentia

Quando o caco no mar pulava, saltitava

 

Aos poucos, outros iam chegando

Todos juntavam seus cacos, a virar competição

Os cacos tipo peixinhos, iam sendo contados

E quem mais fazia peixinhos, se gritava campeão

 

Hoje se pergunta, onde estão todos os cacos?

Porque desapareceram das praias?

Ou isso é para quem lembra o tempo do pote e do jarro

Que sumiram como oleiros e as olarias de louças de barro.

 

Sim, os cacos eram pedaços

De louças de barro que se quebravam

E que não serviam nem para vender

Então, nas praias e ao mar eram jogados

Como forma de se desfazer

 

Quase dois séculos depois

Surrados de se bater, na praia e nas areias

Nas ondas de maré baixa ou maré cheia

Os cacos da ignorância, viraram brinquedos de criança!

 

&

 

Como não lembra das pedras batizadas

Está lá a pedra rachada

Imponente e dos bons mergulhos

Para subir, todo cuidado com a parte quebrada

 

E a famosa pedra da cadeira

Cadeira que se senta na pesca de caniço

Saudades do caniço, que se fazia de bambu

Das pescarias da pedra e dos peixes mais comuns

Canhanhas, cocorocas, garopetas

Badejos, marimbais, sargos e robalos

Peixe rei, escrivão e baiacu

Iscas de barata, tiradas da toca com vareta de bambu

 

Da cadeira, olha-se para trás

Mais que parece ser um enclave

Pedras altas, a praiazinha da burra, burra não sabe porque

Bambus e cachumbeiras a proteger

 

Lá na laje do conão e do Ricardo

Se corria a mergulhar em dias de verão

Hoje uma pedra esquecida por quem vive o lugar

Uma praia esquecida, acabou os mergulhos e banhos de mar

 

E lá está a pedra do quebra-dente

Dente que se quebrou, quando a canoa embicou

Marco da massambaba que o indígena chamou

Lagoinha que liga ao mar, piriri, cachumbeiras e bambus

 

Do marco do quebra-dente, se avista a laje de fora

Pedra de bons peixes de fundo e profundezas

Onde se avista ilhas e paisagem beleza do continente

Pesqueiros de redes e espinhéis, se rema de mar afora

 

Pela pedra do cabeço, se passa e se chega a outra

A outra que é rachada, essa dos peixes grande, os tejo

Tocas de fundo desconhecidas, pesqueira com manejo

Pesqueira de garoupas, caranhas e badejos

 

E de lá de fora ou de dentro, se avista a pedra comprida

De fora da Ilha grande, boa profundidade e pesqueiro

Pedra dos peixes miraguaia e burriquetes

Pesca de caniço, caceio e de fundeio.

 

Por última e que não seja, a pedra do mané João

Lá no fundo do mar, desafios de canoeiros

Maré baixa, maré alta a saber

A quilha ou leme a se perder.     ....................

 

 

Este poema é dedicado a história de quem viveu e vive na localidade da Ponta da Baixo - São José-SC

 

Autor:  Acadêmico Gilberto João Machado

Cad. 3 - ASAJOL – Academia São José de Letras

Patrono: Dom Jaime de Barros Câmara

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