domingo, 21 de junho de 2026

 

PASQUIM

 

O BOI QUE VEIO DO MAR

 

 

SÃO JOSÉ – SC/BR

O Caminho da Ponta de Baixo dos oleiros e das olarias

brincadeiras da farra do boi

 

Aconteceu numa manhã de quarta-feira, agosto de 1957 nas Praiazinhas do seu Zequinha, seu Vino e do seu Dodô.

 

E foram todos para a praia

pois até então, só se viam

 os galhos que se moviam

 

E do que aconteceu

da chegada do boi na praia

alguém fez um folheto e escreveu

versos que a todos envolveu

 

O mar estava sereno

só os galhos que se moviam

era um boi que fugira

e na praia aparecia

 

O Zequinha vinha da pesca

que quase não deu em nada

pegou o boi pelas aspas

lá na pedra rachada

 

A filha do Zequinha

saiu correndo pela praia

com medo do boi

espetou-se numa arraia

 

O boi tava na água

a farra foi a vau

o turrum tava pousado

e o gato fazia miau.

 

A dona Bia do Doca

que estava ali na praia

fugiu em disparada

que rasgou a sua saia

 

O boi subiu na laje

do pasto ele escapou

foram todos para a praia

ninguém mais trabalhou

 

A farra tava animada

que virou grande folia

ninguém mais trabalhou

pararam até as olarias

 

O dono do boi apareceu

todos correram que nem louco

que tristeza que deu

tudo que é bom dura pouco...

 

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NOTAS: Alguns versos desse pasquim, escrito a mão, foi pregado nas portas das vendas na mesma noite, logo após o acontecimento. Passado algum tempo, quando o assunto esfriou, surgiram suspeitas autor desta sátira, ser o carroceiro João Bertolino de Aguiar, dono de mulas e carroças, que fazia fretes e venda de louças das olarias.

 

O boi da farra, fugiu de Campinas, pasto alugado pelo Zé Bernardo, tropeiro puxador de tropas de gado da serra e tinha matadouro na estrada geral de Picadas do Sul, atual rua Luis Fagundes.

O boi era um curísco de brabo, talvez o que o fez nadar mais de 3(três) Km, até chegar nas praias da Ponta de Baixo.

Assim que a notícia chegou ao dono, cavaleiros a laço levaram o boi

fugitivo.

 

GLOSSÁRIO

Pasquim – texto satírico colado em lugar público

Filha do Zequinha – Zenaide Odete Machado

Arraia – peixe de esporão aguçado, pescado por seu pai. Ainda hoje possui a marca do esporão na perna.

Turrum – nome de um passarinho comum da região, apelido do broqueiro Antônio Tasca (Nneném)

Gato – apelido do oleiro Osni Albino Ramos

Doca – apelido do oleiro João Cesário de Maria.

Broqueiro – cortador de pedras, trabalhos de pedreira.

 

Contos que conto

Quem conta um conto, aumenta um ponto  .  º

              -dito popular-                                         

Texto: Gilberto J. Machado

                   Historiador

 

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