PASQUIM
O BOI QUE VEIO DO MAR
SÃO JOSÉ – SC/BR
O Caminho da
Ponta de Baixo dos oleiros e das olarias
brincadeiras
da farra do boi
Aconteceu
numa manhã de quarta-feira, agosto de 1957 nas Praiazinhas do seu Zequinha, seu
Vino e do seu Dodô.
E foram todos para a praia
pois até então, só se viam
os
galhos que se moviam
E do que aconteceu
da chegada do boi na praia
alguém fez um folheto e escreveu
versos que a todos envolveu
O mar estava
sereno
só os galhos
que se moviam
era um boi que
fugira
e na praia
aparecia
O Zequinha
vinha da pesca
que quase não
deu em nada
pegou o boi
pelas aspas
lá na pedra
rachada
A filha do
Zequinha
saiu correndo
pela praia
com medo do boi
espetou-se numa
arraia
O boi tava na
água
a farra foi a
vau
o turrum tava
pousado
e o gato fazia
miau.
A dona Bia do
Doca
que estava ali
na praia
fugiu em
disparada
que rasgou a
sua saia
O boi subiu na
laje
do pasto ele
escapou
foram todos
para a praia
ninguém mais
trabalhou
A farra tava
animada
que virou grande
folia
ninguém mais
trabalhou
pararam até as
olarias
O dono do boi
apareceu
todos correram
que nem louco
que tristeza
que deu
tudo que é bom
dura pouco...
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NOTAS: Alguns
versos desse pasquim, escrito a mão, foi pregado nas portas das vendas na mesma
noite, logo após o acontecimento. Passado algum tempo, quando o assunto
esfriou, surgiram suspeitas autor desta sátira, ser o carroceiro João Bertolino
de Aguiar, dono de mulas e carroças, que fazia fretes e venda de louças das
olarias.
O boi da farra, fugiu de Campinas, pasto alugado
pelo Zé Bernardo, tropeiro puxador de tropas de gado da serra e tinha matadouro
na estrada geral de Picadas do Sul, atual rua Luis Fagundes.
O boi era um curísco de brabo, talvez o que o fez
nadar mais de 3(três) Km, até chegar nas praias da Ponta de Baixo.
Assim que a notícia chegou ao dono, cavaleiros a
laço levaram o boi
fugitivo.
GLOSSÁRIO
Pasquim – texto satírico colado em lugar público
Filha do Zequinha – Zenaide Odete Machado
Arraia – peixe de esporão aguçado, pescado por seu
pai. Ainda hoje possui a marca do esporão na perna.
Turrum – nome de um passarinho comum da região, apelido
do broqueiro Antônio Tasca (Nneném)
Gato – apelido do oleiro Osni Albino Ramos
Doca – apelido do oleiro João Cesário de Maria.
Broqueiro – cortador de pedras, trabalhos de
pedreira.
Contos
que conto
Quem conta um
conto, aumenta um ponto . º
-dito popular-
Texto: Gilberto
J. Machado
Historiador
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