quarta-feira, 10 de abril de 2013


CORONA
(baga utilizada para burnir(brunir) bilhas ou moringas)

Desde o século XIX, até meados do século XX, em nossa região, era comum se encontrar na orla marítima e margens de rios, a planta da família das Mimosaceae. Arbusto(trepadeira), uma das leguminosas de flores amarelas,  que produz um fruto indeiscente(duro, que não se abre). Uma baga de cores brilhantes e de predominância de cores preta e marrom.
Os frutos, quando maduros, debulham-se do arbusto, caindo no chão ou diretamente sobre as águas e são levados pelas correntes fluviais e marítimas. Eram facilmente encontrados nas praias da localidade de Ponta de Baixo em São José e utilizadas nas olarias de louças de barro.
Esta baga de polir, assim chamada, também conhecida como baga da mimosa ou ainda de olho de boi, utilizá-se sobre fricção cautelosa na tinta de barro vermelho de barranco, aplicado nas moringas ou bilhas, moringues de dois bicos e outras peças.
A peças, depois da secagem, são levadas ao forno para queimação (cozimento), ficando prontas para venda e utilização.
Do resultado desse polimento, moringas ou bilhas,  moringues de dois bicos, ou ainda potes, procede-se o envasamento com água boa da fonte ou poço. A água fica fresquinha de se beber.



Corona(tucunã) de coloração preta
Corona(tucunã) de coloração marrom


Nos tempo de hoje, a cerâmica modelada na roda de oleiro ou tornos elétricos, requerem excelentes acabamentos quando polidas, utilizado-se também pedras de fundo de rios.
Pedras de polir, ao centro a baga corona
Pedras de polir e a baga corona


Moringas com tintura de barro vermelho de barranco. A água fica fresquinha de se beber.
Processo artesanal de brunir com a baga ou corona




Contos que conto
Quem conta um conto, aumenta um ponto  .  º
              -dito popular-                                         
Texto: Gilberto J. Machado
                   Historiador

sexta-feira, 5 de abril de 2013

JARAGUÁ NO BOI DE MAMÃO?
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Certas lendas do folclore, indicam que podem ter surgido pelo dito popular de forma equivocada na pronúncia de uma palavra no seio quem as criou, ou então, pelo não entendimento do significado do nosso valioso português.
A partir daí, o apelido passa à ser falado e a figura apreciada por todos os seguidores da brincadeira nos ensaios e apresentações, na comunidade, sem que, haja o interesse no saber.
Se esse interesse, não há, o tempo dificulta a explicação de quem procura saber e daqueles que poderiam explicar, resultando  a posteriori, conjecturas que faz a história ou estória de nosso folclore.
Se não, vejamos: O nome jaraguá, personagem de um desengonçado filhote da bernúncia, introduzido num famoso boi de mamão da Ilha de Santa Catarina, sugere o preâmbulo.

Jaraguá - erva de até 2 m (Hyparrhenia rufa) da fam. das gramíneas, com inflorescências de cor ferrugínea, nativa de regiões tropicais da África e muito cultivada, esp. no Brasil, como uma das principais forragens para bovinos; capim-jaraguá, provisório

Jaguára - regionalismo: Paraná, Rio Grande do Sul, também em Santa Catarina. Uso: pejorativo.
cão ordinário; jaguaraíva
       Uso: pejorativo.

E lá está a figura do jaraguá, alegrando a todos no boi de mamão, coisa linda de se ver. De onde veio, se sabe, é coisa nossa. Quem apelidou, não se sabe, dizem os folcloristas.
 Mais tarde, dirão os pesquizadores, isso é veio popular.

Contos que conto
Quem conta um conto, aumenta um ponto  .  º
              -dito popular-                                          
Texto: Gilberto J. Machado
                   Historiador
CORTEJO NO SARRABALHO
Décadas de 20 e 30 do século XX.

O Sarrabalho em terras e salão dos Cazuzinhas na localidade de Picadas do Sul, proximidades dos engenhos do casarão da fazenda e dos plantios de mandioca.
                                              

Numa tarde-noite de domingo, Jóca Bolinho, freqüentador de carteirinha do sarrabalho dos Cazuzinhas, homem daqueles que deixam a submissa  mulher em casa, saiu para o fandango. Durante o sarrabalho,  com todo o seu respeito, tira uma mulher para dançar. O papo entre os dois, começa muito tímido e acanhado, mas depois de umas e outras, as línguas se soltam, tanto de um como do outro.
 Jóca Bolinho, em versos tipo pasquim, dá início a cortejada, que para sua surpresa, ela responde da mesma forma;
Ele
Eu bem sei que sou casado e tenho minha mulher
Quem tem olhos bem enxerga e se engana porque quer
Ela
Sete anos fui casada, sete maridos conheci
E juro por Deus do Céu
Que estou virgem como nasci
Ele
Ó meu DEUS, que mundo é esse
Ó que terra sem justiça
Ou essas mulheres não tem pomba
Ou esses homens não tem piça

O desfecho desse sarrabalho, fica por conta de sua imaginação
São José dos tempos de engenhos e das diversões do sarrabalho
 

Relíquea: um dos cochos dos engenhos dos Cazuzinhas, adquirido pelo Cirurgião Dentista Bruno Guilherme Seemann
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
In Memorian
Ricardo Crispim dos Santos(Conão)1902-V1987
Valmor Ricardo dos Santos(Moia)1939-V2006
Texto gioleiro@gmail.com gioleiro@gmail.com
            Neto e sobrinho



Contos que conto
Quem conta um conto, aumenta um ponto  .  º
              -dito popular-                                         
Texto: Gilberto J. Machado
                   Historiador

O CANTO DO BEM-TE-VI
José Manoel Laurentino da Silva
•01-12-1920

O popular Bem-te-vi. Este apelido lhe fora atribuído por imitar o canto de vários pássaros, assim como, outros animais. Mas, o canto do bem-te-vi, imitava com perfeição.
Mas não gostava do apelido e atiçava a bocica em cima de quem assim chamasse. A encrenca estava feita.
 Era também um apaixonado por música regional, violão, trapaças e boas negociatas com cavalos.
O carroceiro das loiças de barro. Assim, o josefense José Manoel Laurentino da Silva, trabalhou como negociante de cavalos e de louças de barro no litoral norte de Santa Catarina.
Dono de carroça e cavalos, levava louças até São Francisco do Sul, Joinville e Jaraguá do Sul.
 As década dos anos 40, 50 e 60 do século passado foram o auge dos seus negócios com as louças de barro na região.
Com as louças bem empalhadas, carregava sua carroça de tolda de 2 cavalos e fazia viagens que duravam até 15 dias.
Entre outras de suas andanças, conta que, em inícios dos anos 50, na localidade de Nova Descoberta, trocou meia carrada de louças por um violão. Negociata que perdeu dinheiro, mas que ficou com o prazer de ter um violão.
Certa feita, numa viagem a São Francisco do Sul, ao passar por  Araquari, trocou um seu bonito cavalo tubiano por uma mulher. Três meses depois, veio o prejuízo, a mulher foi embora, perdeu o cavalo.


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Texto: Gilberto J. Machado
                   Historiador




DONA SIBIRINA
E o seu enxoval de funeral, ah, o caixão também!

São comuns pessoas não se prepararem com a finitude, principalmente com o seus funerais, deixando esses ônus e encargos para parentes, amigos, colegas e vizinhos, se tiver, ou ainda, ao Estado e Município na condições de ser tratado como indigente.
Medo ou receio de de encarar a realidade da morte, ou será que é irresponsabilidade mesmo.
Em 1930, aos 84 anos de idade, Dona Sibirina, moradora solitária do Caminho da Ponta de Baixo, era uma velhinha preparada com o seu fim de vida.
Conta Isaura da Rosa Tasca(1918), que desde pequena, carrega lembranças dessa velhinha.
Dona Sibirina, costurou todas as suas vestes em branco e mantinha em cima do guarda-roupas, assim como também o seu caixão bem envernizado, esperando a hora de sua partida desta para outra.

-Lembranças virtuosas. fúnebres ou de mau gosto?

-Ou será que Dona Sibirina preparou uma retribuição à quem um dia, lhe preparou com tanto entusiamo um enxoval para sua chegada a este mundo?

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Texto: Gilberto J. Machado
                   Historiador

quarta-feira, 3 de abril de 2013


 COBERTA D’ALMA
 Você já ouviu falar, ou ainda não?


Pois eu já, claro. sou descendente dessas levas de além mar.
Desde os tempos de criança, escuto de meus pais, avós, de pessoas mais velhas, de vizinhos, dos causos e costumes dessas (es)histórias trazidas e vivida pelos nossos ancestrais açorianos, que aqui aportaram a partir de 1748.
Essa tradição, consisti e fazia com que, as famílias dos falecidos, elegesse e fizesse a doação de todas as suas vestes a uma pessoa da comunidade, especialmente os mais carente.
De posse das roupas, o beneficiário escolhido pelo ritual, tinha que comparecer vestido cum um dos trajes do falecido na missa de 7º dia. A partir daí, todas as outras vestes poderiam ser usadas normalmente.
Em 1969, na localidade Ponta de Baixo em São José, uma comunidade típica de oleiros(feitores de louças de barro na roda de oleiro) e de pescaria artesanal. registrou-se um dos últimos acontecimentos da COBERTA D’ALMA.  A família de Isaura Rosa Tasca(*1918), doou as roupas de seu falecido marido Hermínio Tasca, à Otacílio Ramos, vulgo Tatá, que cumpriu todo o ritual da tradição.
Embora, tratando-se de uma tradição cultural remota e de segmentos de geraçõs, meses depois, familiares relembravamm a dor e a saudade sentidas, quando o Senhor Tatá passava pela rua em frente de suas casas com as roupas do pai.

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Texto: Gilberto J. Machado
                   Historiador


terça-feira, 2 de abril de 2013


O sotaque da portuguesa

Um conhecidíssimo Mane urbano da Ilha de Santa Catarina em visita à amigos na Ilha Terceira-Açores, Portugal.........
Lá, soube da existência de um oleiro, que estava numa casa de repouso, dado a sua idade avançada.
Tratava-se do oleiro João Pão Mole com 92 anos de idade.
Com os melhores propósitos de colaborar com um amigo, que pesquisava sobre louças de barro, oleiros e olaria em São José, dirigi-se ao local.
Na recepção da casa, apresenta o nome do oleiro. Então, a Técnica de Enfermagem de plantão, anuncia em voz alta, com àquele sotaque portugues: visita para o Senhor João Pau Mole, assim entendeu o nosso Mane.
Quando o velhinho se apresenta, o Mane foi logo se desculpando; eu pedi pelo nome de João Pão Mole.
Então, calmamente, o velho oleiro lhe responde: não se preocupe não meu filho, a realidade é essa, quando a gente fica velho, o que é pra ficar mole fica duro e o que é pra ficar duro, fica mole.

Tas compreendendo Mane.!!


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Texto: Gilberto J. Machado
                   Historiador